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Filipe Soares: «No Estoril saí da zona de conforto»

MensagemEnviado: 12 jun 2019, 02:42
por admin
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Médio em entrevista ao Maisfutebol

Filipe Soares deixou a formação do Benfica no verão passado à procura de minutos e de se afirmar no futebol profissional e foi assim que chegou ao Estoril, um clube novo depois de mais de uma década a vestir de encarnado.

Na época de estreia com a camisola canarinha, o jovem médio fez 37 jogos e três golos repartidos entre a II Liga, a Taça de Portugal e a Taça da Liga.

À conversa com o Maisfutebol, Filipe Soares falou sobre o Estoril e sobre a incrível geração de 99, da qual também faz parte, sem esquecer os anos no Benfica e a formação do Seixal.

Chegou ao fim a época. Como correu?

Correu bem, sinto que foi uma época muito positiva para o meu crescimento. Talvez tenha sido mesmo a época em que evoluí mais. Ajudei a equipa, fiz vários jogos e também saí da minha zona de conforto.

Da zona de conforto, falamos também de ter feito alguns jogos a lateral direito?


Sim, também.

Foi ideia do Luís Freire ou já tinha jogado nessa posição?

Não, nunca. Foi a primeira vez. Na formação ainda joguei a ponta de lança e a extremo, porque quando somos mais novos a grande preocupação é ganhar maior conhecimento tático e experiência em todas as posições, mas nunca tinha jogado como defesa.

Então como é que lá foi parar?

Aconteceu por causa das opções que tínhamos e das ideias que o treinador tinha sobre a equipa. Acabei por ser eu a fazer esse lugar e o feedback foi bastante positivo.

Sente então que foi uma mais-valia para si também?

Claro, deu-me outra bagagem para o futuro. Por norma, jogo a médio-centro… é tudo diferente de uma posição para a outra. Eu só conhecia a posição por ouvir, mas tive a sorte de ter colegas de equipa que me ajudaram imenso e por isso foi muito mais fácil.


Em que posição gosta mais de jogar?

A 8, o chamado box to box.

31 jogos na II Liga, mas não foi a estreia na prova. Já tinha feito sete jogos pela equipa B do Benfica. É diferente jogar na II Liga, que é muito física e competitiva, no Estoril e no Benfica B?

É diferente, sim. Uma coisa é jogar para evoluir e tentar chegar a uma equipa principal e outra é jogar numa equipa que tem o objetivo de subir de divisão. Parece que é a mesma coisa, porque a prova é a mesma, e claro que as equipas jogam todas para ganhar, mas são realidades muito diferentes e a pressão é diferente. Diferente, mas saudável e motivante.

E acredita que, sair do Benfica ao fim de tantos anos e a um degrau da equipa principal, foi uma escolha acertada?

Sinto sim, foi um passo consistente. Não estava a jogar muito, precisava de jogar e de continuar a crescer. No Estoril encontrei tudo aquilo que precisava e voltei a ser aquilo que já tinha provado ser. Encontrei um projeto interessante e pessoas, como o Pedro Alves [diretor-desportivo], que acreditaram em mim e que me ajudaram a fazer uma boa temporada.


Estiveste em destaque no Estoril, e o Estoril também esteve em destaque esta temporada. O que falhou para não conseguirem a subida à Liga?

Talvez a consistência ao longo da época. Falhámos alguns pontos acessíveis e quando não podíamos falhar. Além disso, não conseguimos aproveitar os erros dos nossos adversários diretos - Famalicão e Paços Ferreira -, e isso foi uma constante ao longo da época, andámos sempre atrás. Quando tínhamos oportunidade para encurtar a distância, não aproveitámos por culpa própria.



O grupo era bom, tinha capacidade para subir. Era uma mistura de jogadores experientes com outros mais jovens, com bons treinadores [Luís Freire e Bruno Baltazar]. Não sei. Talvez nos tenha faltado também a estrelinha. Acredito que as equipas também têm de ter sorte e a pequena que podíamos ter, não tivemos.


Foi uma grande desilusão?

Foi, foi. Desde o início, pela qualidade e pela experiência do plantel, acreditávamos que era possível subir. O grupo tinha noção do valor, mas, como já disse, em determinados jogos não conseguimos mostrar e ser o Estoril que todos esperávamos.

Assim sendo, o Paços Ferreira e o Famalicão subiram com justiça?

Claro. Só temos de lhes dar mérito, dar os parabéns e desejar boa sorte para a próxima época. Foi a consistência, na minha opinião. Eles foram muito mais consistentes do que nós.

Foi injusto nesta época só subirem duas equipas?

Já sabíamos, desde o início da época, que só subiam duas equipas da II Liga e o Gil Vicente, por isso essa questão nunca se colocou. Em nenhum momento, sequer. O problema fomos nós e o erro foi nosso.

E o Filipe Soares merece dar o salto que o Estoril não deu, ir para a Liga ou para um clube estrangeiro, ou está bem onde está?


Tenho contrato com o Estoril, mas sei que há clubes interessados em mim. Tudo pode acontecer, estamos apenas no início de junho. Vamos ver. Continuo a ser jogador do Estoril e a minha única preocupação é continuar a crescer e ajudar o Estoril a subir de divisão e a estar onde merece - na Liga.

In Mais Futebol

Re: Filipe Soares: «No Estoril saí da zona de conforto»

MensagemEnviado: 12 jun 2019, 02:44
por admin
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«99? Tivemos sorte de aparecer todos nesta geração»

Filipe Soares (Estoril) em entrevista ao Maisfutebol

Filipe Soares deixou a formação do Benfica no verão passado à procura de minutos e de se afirmar no futebol profissional e foi assim que chegou ao Estoril, um clube novo depois de mais de uma década a vestir de encarnado.

Na época de estreia com a camisola canarinha, o jovem médio fez 37 jogos e três golos repartidos entre a II Liga, a Taça de Portugal e a Taça da Liga.

À conversa com o Maisfutebol, Filipe Soares falou sobre o Estoril e sobre a incrível geração de 99, da qual também faz parte, sem esquecer os anos no Benfica e a formação do Seixal.

Não foi chamado por Hélio Sousa para o Mundial de Sub-20, uma prova que não correu muito bem a Portugal. O que poderá ter falhado na Polónia?

Esta seleção já deu provas de todo o valor que tem, mas nem sempre as coisas correm como esperamos. Não tivemos a pontinha de sorte que todas as equipas precisam de ter e, talvez, alguma frieza na finalização - acho que esse foi o fator-chave.

Depois de conquistar os Europeus de Sub-17 e de Sub-19, cair na fase de grupos do Mundial belisca alguma coisa?

Não, nenhum percalço retira o que esta geração já fez e conseguiu. É uma geração com muito valor e muita qualidade, e todos sabem disso, apenas não tivemos o sucesso que queríamos. Eu continuo a sentir-me orgulhoso por pertencer a este grupo. Agora, cabe-nos continuar a trabalhar para nos próximos anos voltarmos a alcançar mais vitórias e sermos campeões de Sub-21.

E foi uma desilusão não ter sido convocado? Tinha sido chamado na última convocatória.

Não, mas claro que tinha a esperança de ser chamado. Como se diz, a esperança é sempre a última a morrer. Qualquer um de nós tinha, de certeza, essa expetativa, sobretudo aqueles a quem a época correu bem. Acreditava que podia ser convocado, mas o mister Hélio Sousa só podia levar aqueles e fez as escolhas dele por acreditar que eram os melhores.


A geração de 99 é muito boa, não é? Muita quantidade e qualidade…

Sem qualquer dúvida. É só ver por onde anda esta geração, em bons clubes e a jogar regularmente, e também a quantidade de jogadores que poderiam ter ido à Polónia e não foram porque não havia lugar para todos. Tivemos sorte de aparecer todos nesta geração.

Sorte ou… azar?

Não. Apesar de tudo, considero que seja uma sorte porque isso nos dá maior competitividade, aprendemos uns com os outros e isso é sempre bom.

In Mais Futebol

Re: Filipe Soares: «No Estoril saí da zona de conforto»

MensagemEnviado: 12 jun 2019, 02:46
por admin
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Visto nos intervalos dos jogos do irmão, foi da formação à equipa B do Benfica

Filipe Soares (Estoril) em entrevista ao Maisfutebol

Filipe Soares deixou a formação do Benfica no verão passado à procura de minutos e de se afirmar no futebol profissional e foi assim que chegou ao Estoril, um clube novo depois de mais de uma década a vestir de encarnado.

Na época de estreia com a camisola canarinha, o jovem médio fez 37 jogos e três golos repartidos entre a II Liga, a Taça de Portugal e a Taça da Liga.

À conversa com o Maisfutebol, Filipe Soares falou sobre o Estoril e sobre a incrível geração de 99, da qual também faz parte, sem esquecer os anos no Benfica e a formação do Seixal.

Tem apenas um irmão, também ele jogador de futebol - Alex Soares (formado no Benfica, jogou no Marítimo e terminou agora contrato com os cipriotas do Omonia). Como é que isso aconteceu?

(risos) Foi sorte ou não, e eu acho que sou jogador por causa dele.


Então?

Quando ele jogava na formação do Benfica, eu ia ver os jogos e no intervalo punha-me a jogar à bola. Acho que queria imitar o meu irmão, o que ele fazia eu também tinha de fazer e se ele jogava bem à bola, eu também tinha de jogar bem à bola.

E quem é o melhor?

Eu acho que é ele. Sempre gostei muito de o ver jogar, tem muita classe e calma a jogar. Além disso, é um líder - sabe o que dizer ao grupo no momento certo. Para mim, ele é o melhor, mas eu estou a ter oportunidades que ele não teve.

O certo é que ambos começaram na formação do Benfica. A ideia era fazer o mesmo que o Alex e aconteceu. Como é que se deu a ida para o Benfica?

Segundo os meus pais, porque eu não me lembro, na altura o mister Nené viu-me a dar uns toques na bola num jogo do meu irmão e perguntou aos meus pais se não me queriam pôr a treinar nas escolinhas do Benfica, no Estádio da Luz. Foi aí que tudo começou… até à equipa B do Benfica.


Cerca de 12 anos?

Sim, 12/13 anos, por aí.

E o que é que o Benfica lhe deu?

Tudo, as condições e o apoio que o Benfica dá aos jogadores, sobretudo aos da formação, é incrível. Não fica nada ao acaso, nem a escola. É de alto nível. Além disso, tem grandes treinadores na formação - e vemos isso com o mister Bruno Lage, por exemplo. Devo tudo ao Benfica, e o facto de ser jogador de futebol.

Que treinador é que mais o marcou?

Vários, mas destaco o Renato Paiva que me treinou em juvenis A. Foi a minha melhor época em termos da formação e muito por ‘culpa’ dele.

32 jogos e 21 golos nessa época.

Sim, correu-me super bem, ele ajudou-me imenso. Evoluí muito naquele ano, graças a ele. Mesmo quando as coisas não me estavam a correr assim tao bem, puxou-me para cima. Devo-lhe muito, tenho muito a agradecer-lhe.


E custou-lhe sair do Benfica ao fim de tantos anos?

Não foram dois dias, nem dois anos. Custa sempre, mas quando já não se é um ‘projeto’ e se sabe que se pode ser jogador de futebol, não se pode pensar tanto no que se quer, mas sim naquilo que é bom para nós. Achei que era a melhor decisão, precisava de sair do Benfica e seguir outro rumo para tentar ter o sucesso que pretendia.

Há muitos miúdos na formação, mas nem todos conseguem chegar à equipa principal e há que tomar decisões…

Sim, isso mesmo. E sabemos disso desde que somos pequenos. Sabemos que na formação somos muitos, mas que só somos ‘projetos’ e que nem todos terão qualidade/capacidade para chegar à equipa principal. Não é um percurso fácil.

Pensa em voltar um dia?

Se acontecer, ficarei muito feliz. Foi o clube onde tudo começou e que me deu tudo aquilo que eu precisava para ser jogador de futebol. Mas, obviamente, não sei se isso acontecerá. Sou profissional e jogarei em qualquer clube.


E o Benfica tem, neste momento, a melhor escola de formação de Portugal?

Sou suspeito (risos), mas sim, tem. É por fases e esta fase é do Benfica, e este último campeonato é prova disso. Nos últimos anos tem havido muitos jogadores da formação a chegar e a singrar na equipa principal. Há quantidade e qualidade, e não vai ficar por aqui. Há mais jogadores à porta da equipa principal, o Pedro Álvaro, o Tiago Dantas…

O grande destaque da formação atualmente é o João Félix. Vocês são da mesma geração, o Filipe é uns meses mais velho. Jogaram juntos?

Sim, jogámos juntos a partir dos 16/17 anos.

Surpreende-o aquilo que ele tem feito?

Não, não me surpreende nada. A qualidade esteve sempre lá, o João tem muita qualidade mesmo. É um jogador fora do normal e no Benfica, na formação, já se via isso.

In Mais Futebol