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Nuno Resende abriu as portas de Lodi antes de receber

Nuno Resende abriu as portas de Lodi antes de receber

Mensagempor admin em 14 fev 2020, 15:38

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Nuno Resende abriu as portas de Lodi antes de receber o Sporting

O Lodi é o grande dominador do hóquei italiano dos últimos anos. Apesar de ter falhado a renovação do título de campeão nacional, a formação dos arredores de Milão voltou aos tempos em que Livramento era o craque depois da chegada de Nuno Resende para o cargo de treinador. Títulos e taças e agora há um primeiro lugar na fase de grupos da Liga Europa. Este sábado recebem no escaldante PalaCastelotti o Sporting, naquela que é apelidada como a partida do ano. Antes desse jogo o zerozero conversou com Nuno Resende, o treinador de 44 anos, falou sem rodeios dos objetivos, do trabalho, do estilo de jogo, dos seus jogadores de forma individual, - algo pouco habitual no tempo em que os treinadores gostam de olhar para o todo - da distinção do CNID e ainda sobre o regresso a Portugal, que não deve estar para breve, apesar de em Itália terem apontado a Oliveirense como destino. «Maior objetivo da época é voltar a conquistar o campeonato»

Nova época em Itália: «Está a correr dentro daquilo que são os objetivos intermédios, campeonato regular e a Liga dos Campeões. Em termos concretos, e no campeonato vai ser muito difícil manter este lugar, que é o que queremos para depois poder enfrentar o play-off. Na Liga Europeia, e um pouco contra a expetativa estamos em primeiro no grupo, sabemos que será uma tarefa muito difícil manter este lugar, mas o mais importante é garantir o apuramento para os quartos-de-final e estamos na luta. A dois jogos do fim, dois jogos frente ao campeão europeu e uma das mais importantes equipas europeias que é o Reus, mas o importante é estar na luta e nesses momentos de decisões». Jogo do ano frente ao Sporting: «O primeiro lugar do grupo é bom e para nós é o reflexo do trabalho. Para nós o importante é passar, em segundo ou primeiro. A final-four é ainda mais difícil. Temos a noção que aquilo que tem sido a normalidade dos últimos anos que são poucas as exceções que chegam à final-four. Sabemos que passar em primeiro abre as possibilidades de sucesso, embora nós, se chegarmos a essa situação seremos sempre a equipa mais frágil que os adversários, mas o importante são os três pontos, depois aquilo que virá será depois e não estamos com essa expetativa alta, porque sabemos minimamente o jogo, como se diz e bem será quase o jogo do ano aqui em Lodi por tudo aquilo que é o ambiente e aquilo que significa este tipo de jogos, mas também sabemos que se não ganharmos este jogo com o Sporting, temos ainda a chance da partida com o Reus e é nisso que temos de focar, terminar o grupo no primeiro ou no segundo lugar».

Objetivos: «Objetivo maior da época é voltar a conquistar o campeonato, dentro daquilo que é a expetativa normal dos últimos anos, e é o nosso foco principal. Independentemente das dificuldades que teremos, e serão muitas, tudo faremos para conquistar». Maior pressão?: «A pressão somos nós que colocamos. A pressão externa estamos habituados e a cidade quer voltar a sentir essa alegria, mas internamente, nós, como somos competitivos e como somos uma equipa construída para ganhar, temos esse objetivo em mente». O estudioso que soma as partes num todo Estilo Nuno Resende: «É evidente que o meu modelo de jogo foi evoluindo ao longo destes anos, primeiro por objetivo meu, porque quero dar evolução aquilo que são os processos, quer defensivos, quer ofensivos, mas muito também da evolução do hóquei em patins em Itália, e das equipas terem crescido neste processo. Acrescentei ao modelo que tem andado comigo ao longo destes últimos anos alguns movimentos, processos e estratégias que não existiam, ou por incapacidade minha, ou por ainda não ter descoberto determinadas coisas, depois porque não havia os confrontos que hoje há e tudo isso fez crescer o modelo».

Inovação, não. Adaptação: «Inovar eu penso que ninguém inova, há sempre algum apontamento, e revolucionar é uma palavra que eu também não gosto, o que eu tento é criar soluções e opções à equipa, de forma individual e coletiva para que depois a equipa se sinta confortável sobre as dificuldades que têm de ser resolvidas. Revolucionar não, porque eu também observo o trabalho dos treinadores, não faço ‘copy/paste’ porque cada clube tem a sua identidade e dos todos os plantéis são diferentes, e isso não resulta, temos de fazer adaptações e se vejo algo que seja bom tento aplicar na minha, vejo se tenho características no meu plantel para ter sucesso, não por ser moda, mas porque pode ser uma solução para resolver algum problema». Olhar do treinador ao plantel Valentín Grimalt: «É um jogador que não para de trabalhar, sou eu faço que também o trabalho com os guarda-redes e focamo-nos muito na análise, no visionamento, e tentamos encontrar o posicionamento correto perante as características que ele tem e a melhor forma para ele se sentir confortável. Claro que na semana de cada jogo trabalhamos de forma mais especificamente alguns movimentos dos adversários para ele prever algumas bolas que lhe vão chegar para ele ter mais confiança».

João Pinto: «Nunca tinha trabalhado com ele. Era um jogador do meu agrado e do antigo presidente, e foi uma vinda para Lodi muito pretendida e ele fez sempre muita questão em vir para Lodi. Agora eu não esperava que ele desse tudo o que dá. Ao nível de treino é fantástico, alguém que tem uma capacidade de treino, dedicação e um profissionalismo, que já trabalhei com muitos jogadores profissionais, mas até hoje não tive nenhum como ele. Como come, como descansa, como treina, como chega muito antes, trabalha individualmente e depois é muito disciplinador para os mais jovens. Puxa por eles, trabalha-lhes a mentalidade, fazer um trabalho muito importante dentro do grupo. Depois em termos de jogo, é um jogador que alia a capacidade em termos de garra, de vontade, à capacidade de técnica e táctica. É um jogador muito experiente e que nos momentos de pressão, em que é preciso ter a bola e definir ele consegue fazer muito bem e é muito útil para nós». Lucas Martinez: «É um jogador que eu sempre observei, ainda nos tempos em que era treinador da Oliveirense esteve para ser contratado, na altura estava no Alcoy, e era bem mais jovem, e era muito forte na finalização, mas eu tive sempre muitas dúvidas quanto ao processo coletivo e ele foi evoluindo nos últimos anos. Seguíamos há dois e nesta época entendemos que ele merecia a oportunidade. Tem evoluído muito neste ano, tinha as tais debilidades coletivas, mesmo em termos mentais, por ter sido sempre um jogador fulcral nas equipas, e tudo em torno dele, sentiu dificuldades nesse desmamar porque numa equipa como o Lodi todos são importantes e o processo coletivo é muito importante, e ele fê-lo. Hoje é um jogador muito integrado, e é muito forte nas recuperações porque tem uma velocidade muito forte e consegue fechar linhas de passe e recuperar de forma rápida, e a juntar a isso tem uma capacidade de finalização acima da média. É um jogador que tem mercado, que tem possibilidades de jogar noutros campeonatos e é um jogador que tem superado expetativas e estou muito satisfeito».

Francesco Compagno: «Ao terceiro ano está a chegar aquilo que perspetivamos. É um jogador que já trabalha comigo há algum tempo e parece outro jogador, mas tem 20 anos e a maturação de quem tem 20 anos e ainda é muito verde, mas este ano está a aproveitar mais, também num trabalho mental e numa maturação mental muito forte, que lhe dá uma estabilidade muito grande e melhorou muito a forma como olha para a baliza e a capacidade de golo. Tem uma carreira muito auspiciosa, percorrendo o seu caminho, porque ainda tem muito para andar, mas seguramente dentro de dois ou três anos estará entre os melhores a nível europeu». Davide Gavioli: «Era um jogador seguindo, e que fez uma excelente época no Viareggio. Este ano houve essa janela de mercado fruto de umas debilidades no Viareggio, ele predispôs-se a mudar e a vir trabalhar connosco e dentro daquilo que é a linha do Verona e do Giullio Cocco é um jogador que pode chegar a esses níveis. É um rapaz com uma mentalidade fantástica, uma capacidade de treino absurda, uma patinagem, um controlo de bola e uma vontade de fazer muito grande». Cocco no FC Porto e Verona no Sporting, il bambino de Resende: «Embora tenha estado apenas um ano com eles acho que também fui fundamental no processo de crescimento do Gonzalo Romero e do Franco Platero, por aquilo que eu falo com eles. Para mim isso é que é fundamental. Eu não quero andar neste trabalho só à procura dos títulos coletivos. Este tipo de trabalho eu faço questão, porque é um gosto que eu tenho na área do treino e da pedagogia, pegar nestes jogadores é como pegar numa peça de barro e fazê-lo, não há minha maneira, mas há maneira do hóquei atual e em torno daquilo que são as características dos jogadores, e para mim é o grande desafio que eu tenho no início de cada ano, falar com os jogadores e explicar que caminho podemos seguir se eles quiserem para poderem melhorar em alguns aspetos. E neste lote incluímos também o Domenico Illuzzi que hoje, ao fim de quatro anos que me chegou às mãos, é um jogador completamente diferente e apesar de ter 31 anos e parecer que já anda aqui há muito tempo, é um jogador que ainda tem muito a dar».

Treinador estrangeiro do ano para o CNID: «O nosso trabalho hoje é muito seguido, a internet dá-nos essa dimensão, e quando soube do prémio do CNID fiquei um bocado atordoado, no sentido em que fui informar-me do prémio e eu pensei: Deve se ter enganado, não é para mim. Pediram para entrar em contacto para me explicar o prémio e eu fiz a questão: Vocês não se enganaram? Lá me disseram que não, que faziam questão que o prémio não fosse entregue ao futebol, e que nas modalidades amadoras a justiça do prémio é que teria de ser entregue a mim. É uma satisfação enorme, porque este prémio é o revelar da dimensão que o meu trabalho é importante, é seguido. Tem muito valor, e se formos a ver a lista de treinadores que já venceram o prémio percebemos que não pode ser ao acaso, e o meu trabalho não é feito ao acaso, é facto com muita paixão, muito estudo, muita ciência porque venho dessa área e tento criar um modelo de treino para que os atletas se sintam confortáveis, feliz e potenciar o modelo de jogo e mentalidade da equipa. Isto são muitas horas, e quando depois de perder o acesso à final, se calhar de forma estranha e inglória, e chego a casa e tenho este e-mail na caixa de entrada ficou com a perceção que estou no caminho certo e estes prémios são também um selo do meu trabalho. Não se trabalha para ter este tipo de prémios, mas este tipo de prémios vem porque o meu trabalho tem qualidade e aí sinto-me orgulhoso e satisfeito. Eu costumo dizer que não preciso de ganhar títulos para me sentir feliz, eu preciso de sentir a equipa em campo a ter a identidade que nós enquanto grupo definimos, que nós enquanto sociedade e presidente me pedem e essas são as grandes vitórias. Depois se ganharmos títulos, ótimo, se os jogadores conseguem melhores contratos, ótimo, depois se chegam estes prémios é quase o selo de qualidade sobre aquilo que é o meu trabalho».

Equilíbrio mental de um patinador exímio: «Eu sou muito equilibrado, e isto é uma constatação. Não me deixo iludir quando as coisas estão a correr bem, nem me deixo ir abaixo quando é ao contrário. Isto é uma roda e é preciso equilibrar, sermos conscientes, dar o máximo, estudar, procurar dar qualidade aos treinos e aos jogadores para podermos chegar aquilo que queremos. Não podemos é ser demasiado eufóricos ou demasiado depressivos, temos de ser equilibrados, porque a realidade é um bocado essa. Isto pode ser curto ou longo, temos, neste momento em Portugal a situação de dois ou três treinadores que ganharam quase tudo já nos últimos anos e neste momento estão sem clube, não é porque não mereçam, mas sim porque a concorrência é muito forte, e hoje para nos mantermos ao mais alto nível numa modalidade com tão poucas opções para trabalhar ao mais alto nível, temos de trabalhar no máximo e agarrar. Sou muito feliz em Itália, tenho mercado, tenho possibilidade de fazer aquilo que gosto, e eu não sou depressivo por não voltar para Portugal, mas antes, estou muito satisfeito por ter oportunidades em Itália, que é onde eu me tenho focar».

Texto retirado do zerozero.pt
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